terça-feira, 22 de agosto de 2017

A reforma política jabuticaba vai a voto

Por Rodrigo Martins, na revista CartaCapital:

Após liderar a campanha a favor do pacote de “dez medidas contra a corrupção”, os procuradores da República Carlos Fernando dos Santos Lima e Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Lava Jato, voltaram a dar pitacos em propostas legislativas que escapam à sua alçada.

Em vídeo divulgado nas redes sociais na semana passada, a dupla conclamou a população a reagir ao que chamam de “falsa reforma política”, uma tentativa de “velhos políticos se agarrarem ao poder”. O juiz Sergio Moro adotou discurso semelhante. Segundo o inquisidor curitibano, o Congresso não está empenhado com a “verdadeira reforma política”.

Janot afia sua ponta de flecha contra Temer

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

O tempo está se esgotando para o procurador-geral Rodrigo Janot, que acelerou o ritmo de trabalho em seu gabinete de olho no dia 17 de setembro, quando acaba seu mandato. A segunda denúncia contra Michel Temer, por obstrução da Justiça, está praticamente fechada mas pode ser fortalecida pela delação de Lúcio Funaro, cujas tratativas serão retomadas esta semana. Janot, segundo fontes do MPF, pretende estabelecer uma triangulação entre Geddel Vieira Lima para turbinar a denúncia.

Caravana de Lula: esperança e tormenta

Foto: Jornalistas Livres
Por Saul Leblon, no site Carta Maior:

A irrupção nazista nos EUA - aqui e lá edulcorada com o eufemismo de ‘movimento supremacista’ -, talvez não seja, infelizmente, apenas mais uma brotoeja racista de recorrente presença na história norte-americana.

Embora seja isso também, compreender e enfrentar a real dimensão do que foi enunciado em Charlestonville, na Virgínia, pode exigir mais do que reportar à tradição escravocrata dos sulistas que preferiram a guerra civil, travada entre 1861 e 1865, a aceitar a abolição da escravatura.

É certo que os conflitos aguçados durante a secessão nunca terminaram. Nem foram menos violentos que agora.

Doria apela ao MBL contra Bolsonaro

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Cômica, apesar de refletir a trágica decadência da direita paulista, a matéria da Folha, hoje, sobre a “fusão” entre o MBL de Kim Kataguiri o com os “cabeças pretas” do cabelos alourados do ainda este ano sessentão João Dória.

A bancada jovem tucana que quer o desembarque do partido do governo de Michel Temer deve se unir ao MBL (Movimento Brasil Livre) para as eleições de 2018, dentro ou fora do PSDB. As conversas entre os parlamentares do grupo, conhecido como “cabeças pretas”, e os coordenadores do movimento de direita que foi um dos protagonistas dos atos pelo impeachment de Dilma Rousseff têm se intensificado com o avanço do calendário pré-eleitoral.

Cortes de Temer esvaziam as universidades

Por Verônica Lugarini, no site Vermelho:

De acordo com a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias, o desmonte da educação deve gerar o esvaziamento da universidade e inibir o acesso de alunos aos cursos de ensino superior em instituições públicas, formando uma geração de estudantes “Sem/Sem”, ou seja, sem estudo e sem trabalho.

As universidades vêm sofrendo uma sequência de cortes pelo governo Michel Temer. Até agora, o Ministério da Educação (MEC) teve um dos maiores cortes, de R$ 4,3 bilhões, o que representa uma diminuição de 12% no montante anteriormente definido em R$ 35,74 bilhões, provocando o definhamento de um projeto educacional democrático e inclusivo que se consolidava no Brasil.

A ofensiva do capital contra o Brasil

Por Érika Ceconi, no site da CTB:

“Não interessa ao capital financeiro internacional que o Brasil ou, de forma mais ampla, os países da América Latina e Caribe, produzam as reformas sociais necessárias a uma sociedade mais justa e tracem rumos próprios na política internacional”, alertou o embaixador Celso Amorim em entrevista exclusiva concedida ao Portal CTB.

O diplomata e ex-ministro participa, na próxima quinta-feira (24), em Salvador (Bahia), do Seminário Internacional “A crise econômica global e o mundo do trabalho” que antecede o 4º Congresso Nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e reúne dirigentes sindicais de 29 países.

Correios ameaçados. Por que defendê-los

Por Igor Venceslau, no site Outras Palavras:

No Brasil, um processo de desmonte dos Correios segue na velocidade das encomendas expressas. Esse sucateamento dos serviços postais, ao qual todos estamos expostos, visa provavelmente tentar a privatização de uma das maiores e mais eficazes empresas públicas brasileiras e transferir uma atividade lucrativa, sigilosa e estratégica para as mãos do mercado. Após o último concurso público, ocorrido em 2011, a contratação está suspensa nos Correios, enquanto as demissões são largamente incentivadas pela administração central. E do Oiapoque até o Chuí, a população vem sendo surpreendida com o fechamento repentino de agências postais e a implantação de um programa de entregas em dias alternados, em substituição à entrega diária.

O golpe do capital contra o trabalho

Por Carlos Pompe, no site da Fitmetal:

Não existe abordagem neutra da história e da política e, neste momento em que estas linhas estão sendo lidas, a história e a política estão sendo feitas, inclusive por quem as lê e quem as escreveu. Está é uma premissa com a qual o jornalista Umberto Martins escreveu “O Golpe do Capital contra o Trabalho”, e o autor não é neutro: não escamoteia que tem lado – o do trabalho contra o capital, o do golpeado que decifra o golpeador.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Vão-se os nomes, ficam os corruptos!

Por Tomás Chiaverini, no site The Intercept-Brasil:

As mudanças são uma constante em Brasília – a cidade onde nem as tatuagens são eternas. Políticos migram de uma legenda para outra, aliados se tornam traidores, pregadores da austeridade fiscal viram entusiastas de rombo nas contas, reformas profundas se transformam em uma forcinha para os amigos. Agora, ao que parece, a última moda é rebatizar partido.

A lógica é mais ou menos a seguinte: o sujeito tem o nome sujo na praça, mas, em vez de pagar as dívidas, acha mais fácil mudar de identidade. Por isso, caro leitor, vale redobrar a atenção com as novidades nas urnas em 2018.

Turma do Doria festeja delação de Paulo Preto

Por Renato Rovai, em seu blog:

Se arrependimento matasse, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não estaria mais entre nós. No convescote de ontem realizado pelo prefeito João Doria na sua mansão para fazer média com sua base de vereadores, alguns de seus assessores mais próximos tratavam, em “absoluto off” (risos e mais risos) da delação do ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto.

Os novos desafios dos sindicatos brasileiros

Por Rosângela Ribeiro Gil, no site do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo:

A mesa-redonda “Emprego e desenvolvimento rumo ao Brasil 2022”, da 11ª Jornada Brasil Inteligente, ainda na parte da manhã do dia 18 de agosto último, trouxe importantes dados e análises sobre a conjuntura social e econômica do País com o diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), seção brasileira, Peter Poschen, e o técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. Os trabalhos contaram com a coordenação do presidente da FIO, José Carrijo Brom, e a contribuição do professor Antonio Corrêa de Lacerda, coordenador da pós em Economia Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Equilíbrio fiscal: outro mito neoliberal

Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:

A substituição da presidente Dilma, democraticamente eleita, por Temer, no ano passado, foi avalizada pelo mercado financeiro como necessária para "colocar em ordem as contas públicas". Isso porque o aparecimento do primeiro déficit fiscal em 2014 na proporção de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) desde a chegada dos governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores ascendeu o alerta dos rentistas, cada vez mais defensores de uma profunda reversão na política econômica de inclusão social.

A influência dos EUA no golpe no Brasil

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

A cada dia que passa fica mais nítida a participação de forças dos Estados Unidos no golpe do impeachment. Trata-se de tema polêmico, contra o qual invariavelmente se lança a acusação de ser teoria conspiratória. O ceticismo decorre do pouco conhecimento sobre o tema e da dificuldade óbvia de se identificar as ações e seus protagonistas. Imaginam-se cenas de filmes de suspense e de vilões, com todos os protagonistas orientados por um comitê central.

Obviamente não é assim.

PSDB está mais unido que nunca!

Rosário pede proteção contra 'Bolsominions'

Por Katia Guimarães, no blog Socialista Morena:

Nessa sexta, 18 de agosto, um áudio do militar Aldimar Torres da Silva, sargento da Aeronáutica, ameaçando e xingando a deputada Maria do Rosário (PT-RS), causou horror e foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. “Tá satisfeita agora, sua desgraçada? Vou te derrubar, vou grampear seu telefone com ou sem mandato (sic). Pra mim você não passa de uma puta de bandido. Vou te rasgar ao meio”. Essas foram algumas das frases gravadas por ele no grupo do WhatsApp em que o número do celular de Rosário foi incluído por apoiadores do deputado Jair Bolsonaro (PEN-RJ), condenado esta semana por incitação ao estupro. A misoginia contra ela, que foi ministra dos Direitos Humanos do governo Dilma, não é bem uma novidade, infelizmente.

Globo foi uma das articuladoras do golpe

Do jornal Brasil de Fato:

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato enquanto percorre nove estados nordestinos de ônibus, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comenta os motivos do golpe que tirou Dilma Rousseff da Presidência e quem está por trás dessa conspiração. Lula comenta ainda a necessidade de o povo se manter em luta contra os retrocessos e por democracia, e seguir acreditando na política. Sobre a posição do governo Temer sobre a crise venezuelana, dispara: "É ridículo um governo golpista, ilegítimo, inimigo do seu próprio povo, querendo dar lições de democracia à Venezuela". Confira abaixo.


'Criança Esperança' afronta a consciência

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Houve uma época em que o programa Criança Esperança era visto com a inocência das iniciativas filantrópicas – e seu rosto era o de Renato Aragão, o último palhaço genuíno que a TV brasileira foi capaz de exibir.

Na versão 2017, o Criança Esperança tornou-se uma plataforma política, com agenda, palavras de ordem e uma linha de intervenção definida sobre as grandes questões do país.

"Qual o grande problema do Brasil?" perguntou, na noite de sábado a atriz Leandra Leal, uma das apresentadoras. "A corrupção", respondeu Marcos Caruso, o Pedrinho da novela das 7 Pega-Pega, alinhado com a orientação da casa, que desde 2014 empenha-se em transformar Sérgio Moro em ídolo popular.

O que Doria sabe sobre o cunhado do Alckmin?

Por Altamiro Borges

O jornal Valor revelou outro dia que o “prefake” paulistano tem feito a caveira do seu padrinho político, o governador de São Paulo, no próprio ninho do PSDB. Traição escarrada! Segundo relato da jornalista Rosângela Bittar, “não é segredo, Doria está fazendo gato e sapato de Alckmin. Não há um tucano paulista, dos bem autênticos, que não tenha uma história para contar sobre o bombardeio do prefeito contra quem imagina ser seu adversário interno. Os interlocutores estão saindo horrorizados com a má propaganda e a baixa perspectiva que se cria para Alckmin: Doria não perde oportunidade de dizer que vem aí uma bomba, uma delação irrespondível, que esse ‘negócio de cunhado’ é difícil”.

domingo, 20 de agosto de 2017

Grupelhos fascistas racham diante de Temer

Por Altamiro Borges

Na cavalgada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff, alguns grupelhos de extrema-direita ganharam os holofotes da mídia. Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua, Revoltados Online, Nas Ruas e outros ainda mais caricatos viraram capa de jornais e foram parar nas telinhas das televisões. A imprensa “imparcial” nunca se preocupou em desvendar suas origens, em polemizar com suas posições fascistas ou em investigar suas fontes de financiamento – inclusive as provindas de sinistras fundações dos EUA. Graças à forte exposição midiática, estas seitas até elegeram vereadores e hoje têm vários apaniguados pendurados nos cabides de emprego de Brasília e dos governos estaduais e municipais geridos por partidos fisiológicos, como o DEM, PMDB e PSDB. Mas, curiosamente, sumiram das ruas. O que houve?


Venezuela: a pedagogia dos oprimidos

Por Altamiro Borges

[Terceiro capítulo do livro "Venezuela: originalidade e ousadia", publicado em 2005 pela Editora Anita Garibaldi e pela Fundação Maurício Grabois]

“Somente a unidade nos falta para completar a obra de nossa regeneração. Unamo-nos e seremos invencíveis”. Presidente Hugo Chávez.

Em entrevista recente, ao explicar as razões dos avanços da revolução bolivariana, o presidente Hugo Chávez foi enfático: “O elemento fundamental é a organização popular; eu o colocaria em primeiro lugar” [1]. Um olhar atento, visando decifrar os mistérios desta experiência marcada pela originalidade, confirma esse veredicto. Desde o seu início, esse processo realiza um gigantesco e acelerado esforço de politização e organização das camadas populares. Na prática, vivencia-se uma verdadeira “pedagogia dos oprimidos”, na melhor acepção dos ensinamentos do mestre Paulo Freire. Num curto espaço de tempo, milhões de venezuelanos, antes meros objetos da manipulação das elites, passam a ser sujeitos da sua própria história.