quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Roberto Freire, o capacho da direita

http://www.ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Bepe Damasco, em seu blog:

Em 1989, Roberto Freire se candidata à presidência da República pelo PCB. Dizia que era importante saber quantos eram os eleitores simpatizantes do comunismo no Brasil e que a candidatura era um palanque importante para a defesa das teses do partido. Embora tenha obtido uma votação bem modesta, Freire saiu do pleito com um bom saldo político. Fez uma campanha limpa, propositiva e ideológica, chegando a ser apoiado por alguns intelectuais de respeito. No segundo turno, fez o certo e marchou com o candidato da Frente Brasil Popular, Luis Inácio Lula da Silva. O contraste desse Freire com o dos dias de hoje é gritante. Não só parece, como é outra pessoa. Um político menor, rancoroso, que criou um partido para ser mera sublegenda do PSDB. A razão de viver desse ex-comunista passou a ser a repulsa visceral e doentia ao PT, Lula e Dilma.

Amigos que o conhecem de perto garantem que a metamorfose se deu por conta do diabo do sentimento de inveja. Simples assim. Freire imaginava que para ele estava reservado o papel que coube a Lula na história do Brasil. Não desprezo as razões relacionadas às trevas da alma humana, mas prefiro ter como foco principal de análise a trajetória política de Freire e as conjunturas políticas em que elas se forjaram.

Logo depois de 1989, o ainda presidente nacional do PCB começara a dar sinais de sua simpatia pelo PSDB. Em 1992, ano da fundação do PPS, Freire foi um dos idealizadores, junto com tucanos de proa, de uma revista intitulada Socialismo do Século 21. A linha editorial dessa publicação já flertava com a desregulamentação dos mercados e do setor financeiro, com a privatização de "setores não estratégicos da economia" e com a tese cara aos neoliberais da ineficiência do setor público-estatal, com a consequente superioridade da iniciativa privada.

Em 1994, visivelmente a contragosto, Freire e o seu novo partido ainda integraram a frente de partidos que apoiou a segunda candidatura presidencial de Lula. Contudo, eram tantas as críticas à condução da campanha do candidato do PT, por um lado, e elogios rasgados a FHC e ao plano real, por outro, que mesmo os não iniciados nos meandros da política eram capazes de perceber que o então senador pernambucano estava de malas prontas para o outro lado.

Nas presidenciais de 1998, seu partido lança Ciro Gomes, egresso do PSDB, que chega em terceiro lugar. Freire já não perdia a oportunidade para estreitar laços pessoais e políticos com tucanos de alta plumagem, sempre enaltecendo o ideário tucano em público.

Seus ataques ao PT se tornavam cada vez mais agressivos. Em 2002, o PPS repete a dose com Ciro, que derrotado no primeiro turno ( ficou na quarta colocação, atrás de Garotinho) apoia decididamente a campanha vitoriosa de Lula, no segundo turno contra Serra. Sem alternativa, Freire segue Ciro, mas sem o menor entusiasmo. Ciro vira ministro da Integração Regional de Lula. Em 2004, o PPS rompe com o governo e Ciro migra para o PSB.

Em 2005, durante o cerco golpista midiático-parlamentar que se forma contra o governo Lula por conta do "mensalão", Freire se soma aos pefelistas e tucanos que babam de ódio contra o PT. Como prêmio, ele e seu partido amealham cargos nas administrações tucanas de São Paulo. O PPS assume, então, de uma vez a condição de partido satélite, de sublegenda do PSDB. Se os tucanos, vire e mexe, têm de fingir algum refinamento político, o PPS se prontifica, então, a fazer aquele tipo de oposição com golpes abaixo da linha da cintura.

Desterrado, sem voto e sem mandato no seu estado, Pernambuco, o cacique do PPS vira deputado federal por São Paulo pelas mãos de Serra. A partir de então o PPS abdica completamente de formular propostas para os municípios, os estados e o país. O negócio é atacar o PT, seus aliados, Lula e Dilma, com base no udenismo moralista mais tosco. O PSDB agradece.

O último programa partidário de rádio e tevê do PPS, levado ao ar na semana passada, é o corolário da degradação política do partido. Em meio a investidas virulentas e cobranças de fuzilamento político do PT e do governo, surge um transtornado Roberto Freire pedindo "cadeia para todos os mensaleiros", passando por cima do regimento do STF, do direito à ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição.

Ele que se prepare para o acerto de contas com a história.

11 comentários:

Eugenio Hansen, OFS . disse...

Paz e bem!

O acerto de Roberto Freire
com a História
não será cruel,
mas imensamente doloroso:
Roberto Freire será,
quanto muito,
uma nota de rodapé.

Anônimo disse...

Sinceramente, eu gostaria muito de entender o que faz , ou o que causa tanto ódio ao PT. Não dá prá justificar com a assertiva de que o PT "traiu" suas convicções originais. è uma coisa que ainda não consigo realmente entender. Não é só o PPS que tem por objetivo maior o ódio ao PT e o desejo de destruí-lo, o PSOL também tem estas mesmas razões de viver.

Anônimo disse...

O acerto de contas desse sujeito
com a história será,no máximo,uma
brevíssima,sucinta nota de rodapé.
Sou pernambucana e o conheço desde
antes do golpe de 64.Conheço mesmo
bem de perto,portanto afirmo com segurança que trata-se de um caso
patológico de inveja,despeito e 'dor de cotovêlo'.Em 2002 ele já
falava mal de Lula e só o apoiou
no 2º turno porque no momento não
tinha outra opção.Agora o que ele
precisa urgentemente é de uma va-
cina antirábica,para não morrer de hidrofobia.Quem te viu,quem te
vê...O lixo da história(e não His
tória)talvez o aguarde...

Anônimo disse...

Há algumas horas enviei um comentário como annônimo e ainda não o vi.Se for o caso posso me identificar,sem problema.

Alício disse...

E eu convenci meus filhos a votar nessa desgraça por três vezes. Já pedi perdão a Deus e fiz penitência.Vade retro satanás!

Anônimo disse...

Roberto Freire tá com a "moléstia dos cachorros"!

xiru pitanga disse...

Não foi o fato do iluminismo, o esclarecimento pelo pensamento racional a substituições o encontro com a própria liberdade do homem e com ele a reforma social e democrática ao mundo; também não foi o fato do iluminismo ter acontecido lá atrás e brindado o mundo com vários pensadores; que ele tenha acabado e que se o homem não conseguiu a pensar, que ele tenha acabado.
É vexatório para um ser dedicado a vida política não conseguir pensar, aprende porque decora o que leu, sem conseguir criar uma crítica. Mudanças ideológicas radicais não existem, e como declarar o fim de um amor que nunca existiu. E se não existiu na esquerda nunca irá existir na direita. A única coisa possível é acompanhar o cabresto.

humberto cavalcanti disse...

esse cara, R. Freire, numa reportagem em televisão, assim "analisou" o julgamento do TSE negando a Marina/Rede: como um "tapetão", "eles venceram no tapetão" !... Sabemos que quando Freire diz "eles" visa , com sua hidrofobia cega, o PT. Se não for de acordo com seu pensamento odioso, qualquer julgamento de cortes superiores é tapetão; se for de acordo, é justo ("mensalão", "mensaleiros", cadeia, "maior caso de corrupção já existente no Brasil"... e por aí vai). Um caso patético, um triste fim.

Guilherme Castro disse...

Roberto Freire se transformou numa pessoa cinica despresivel. Se vende barato por pura inveja. A historia brasileira vai desconsiderar a existencia na primeira faxina.

Bandeira Vermelha disse...

Para mim Roberto Freire é um dos maiores traidores da esquerda brasileira. É o Gorbachev Brasileiro.

Bandeira Vermelha disse...

Um dos maiores traidores do comunismo. O Gorbachev Brasileiro