segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Chávez sobrevive à mídia e é reeleito

Por Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo:

Hugo Chávez sobreviveu aos bancos, ao “otimismo mórbido” e à mídia (nunca tantos torceram tanto para alguém morrer de câncer).

O presidente venezuelano foi reeleito com 54% dos votos, contra 44% para o oposicionista Capriles Radonski.

A participação foi de 80,94% (o voto não é obrigatório no país).

Chávez derrotou, entre outros, os diagnósticos de Merval Pereira, de O Globo (reproduzidos no blog do Nassif):

“Quadro grave”, de 16 de fevereiro de 2012:

Os últimos exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação.

Como a eleição presidencial se realiza dentro de 8 meses, a 7 de outubro, dificilmente o presidente venezuelano estaria em condições de fazer uma campanha eleitoral que exigirá muito esforço físico, pois a oposição já tem em Henrique Capriles um candidato de união.

“Os verdadeiros mentirosos”, artigo de 22 de fevereiro de 2012:

A notícia de que o estado de saúde de Chavez havia piorado foi negada pelo governo de maneira peremptória, e o Ministro da (des) Informação, Andrés Izarra, disse que ela fazia parte de uma “guerra suja da escória”.

O líder governista no Congresso, Diosdado Cabello, chegou a afirmar que Chávez estava saudável, dizendo também pelo twitter que “Bocaranda está doente na alma”.

Da mesma maneira, depois que na quinta-feira publiquei no meu blog (Blog do Merval.com.br) que o quadro de saúde de Chavez havia piorado, com informações de médicos brasileiros que haviam analisado exames do presidente da Venezuela indicando a possibilidade de metástase em direção ao fígado, Maximilien Arvelaiz, pomposamente intitulado “embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil”, enviou carta ao GLOBO afirmando que “o tratamento contra um câncer, pelo qual o presidente Hugo Chávez foi submetido em 2011, foi exitoso, estando o presidente gozando de boa saúde”.

“A saúde de Chavez”, de 23 de fevereiro de 2012:

Tenho cometido um erro dizendo em diversos comentários e notas que o câncer de Chávez pode estar localizado no “colo do reto”. Na verdade, trata-se de um câncer “colorretal” que abrange tumores em todo o cólon, reto, e apêndice.

“O novo câncer de Chávez”, de 4 de março de 2012:

O jornalista venezuelano Nelson Bocaranda e o médico venezuelano residente na Flórida, José Rafael Marquina, que vêm informando com antecedência sobre o estado de saúde do presidente Hugo Chavez, usaram o twitter para comentar as últimas notícias sobre o novo câncer de Chavez. Bocaranda confirma que o exame dos materiais retirados para a biópsia foi feito no Brasil e nos Estados Unidos, e Marquina diz que embora não se refiram a metastáse, anunciar uma “radioterapia profilática” é uma maneira indireta de confirmar.

“Chavez no Brasil?”, de 5 de abril de 2012:

O Presidente venezuelano Hugo Chavez pode anunciar a qualquer momento uma viagem ao Brasil para se internar no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Ele teve um choque com o tratamento de radioterapia a que está se submetendo em Cuba, e há especulações de que sofreu problemas intestinais que poderiam ser originários da metástase. (…) Pessoas próximas a Chavez temem que seja muito tarde para um novo tratamento aqui no Brasil, que poderia ter começado há muito tempo com a oferta feita pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma. Chavez se negou a aceitar normas de transparência de informações do Hospital Sírio-Libanês e fez exigências consideradas inaceitáveis, como fechar andares do hospital e revistar todas os visitantes enquanto estivesse internado.

3 comentários:

M.A. D. disse...

Na Venezuela, país que a mídia brasileira costuma chamar de ditadura, os votos nas urnas eletrônicas são impressos e depositados, para garantir a total lisura das eleições. No Brasil, o país da festa da democracia, houve um projeto de lei que tentou implantar algo semelhante em solo tupiniquim. Não foi pra frente, não virou lei, não quiseram voto impresso, nem lisura em terreno democrático.


Ainda na Venezuela, aquele país que nossa mídia costuma chamar de ditadura, o voto não é obrigatório como aqui, na festa da democracia brasileira. O comparecimento dos eleitores, no país comandado por Hugo Chavez, foi de 80,79% da população, com um índice ínfimo de 1,89% de votos nulos.

Aqui em nosso 'Brasilzão', país democrático ao extremo, o voto é obrigatório. Na cidade do Rio de Janeiro, as abstenções foram de 20,45%. Porém, votos nulos foram 8,94% e brancos 8,12%. Somando-se as abstenções, nulos e brancos na capital carioca temos o resultado módico de 37,51% da população que não quis ou não teve como participar ou opinar na festa da democracia.

Números muito superiores aos da 'ditadura venezuelana', segundo costuma dizer nossa mídia. Por tudo isso, talvez esteja na hora de repensarmos nossa democracia. Mais de um terço da capital fluminense não opinou nesta eleição municipal, ou seja, um em cada três habitantes cariocas.

Publicado em: http://comunicatudo.blogspot.com/2012/10/as-rapidinhas-do-sr-comunica-urnas-e.html

Benjamin Eurico Malucelli disse...

E imaginar que comentários como esses deram uma cadeira da Academia Brasileira de Letras. Imortal é o Chavez!

Anônimo disse...

Concordo plenamente. Eis um imortal que morrerá pela história. E um mortal que viverá para sempre.